Finalmente mais um capítulo! Espero que gostem.

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Capítulo 8 : O outro lado da moeda

 

As semanas passaram rapidamente. Meg já havia se adaptado a rotina da empresa conseguindo fazer seu trabalho e admirando Evan todas as vezes que ele chegava e entrava na sala do outro lado, bem como “a não gostar” da Senhora Oferecida a quem se obrigava a chamar pelo nome desde a ultima vez que quase a chamou pelo apelido. Repetia um mantra silencioso “Sara, Sara..” antes de falar com ela. Dava um pouco de trabalho, mas evitava constrangimentos.

Também tinha se acostumado com os rompantes de sua secretária. Bia entrava, no mínimo, 10 vezes ao dia na sala de Meg. Acabaram criando um certo nível de amizade em que até fofocas eram trocadas. Foi por Bia que Meg ficou sabendo que o “Sr. Medeiros Pai” levava o labrador da família todas as vezes que ia para a empresa e, que sempre que isso acontecia, Bia precisava trocar de lugar com a secretária dele que era alérgica a pelos de cachorro e vivia espirrando. O que era agravado com o fato de o Sr. M. Pai ser acometido de TOC no melhor estilo limpeza absoluta.

Foi também por Bia que Meg ficou sabendo que a responsável pelo departamento de contabilidade, Sheila, e nas horas vagas, perseguidora incansável do coração de Evan, estava muito incomodada (pela entonação que Bia usou, pode perceber que a expressão correta proferida na ‘radio corredor’ seria : “P” da vida) com Meg, pois Evan “estava-dando-atenção-de-mais-a-ela sem qualquer necessidade aparente. E que o pico desse ódio contido aconteceu quando Evan pediu comida japonesa e foi até a sala de Meg para que ela comesse alguma coisa, já que não a tinha visto no restaurante.

Meg achava graça de toda essa fofoca. Simplesmente não dava atenção. Até que Bia entrou um dia de manhã em sua sala para levar café e água e a viu olhando Evan cruzar o setor e entrar na sala do outro lado.

Quando notou a presença da secretária na sala, Bia fechava e abria a boca como ou peixe fora d’agua. Meg conhecia aquela reação: Bia sabia de algo e não queria contar, mas não ia se segurar por muito tempo. Quando isso acontecia Meg não precisava fazer muito esforço para sanar sua curiosidade.

Em segundos, Bia sentou-se na cadeira do outro lado de sua mesa e começou.

– Ah Megan… – era o máximo que conseguira de Bia. Ao menos não era tratada por Senhora Alves- não faça isso!

O pedido de Bia veio de forma suplicante.

– Isso o que, Bia?

-Isso! – e apontou com a cabeça em direção a porta da sala de Evan.

Meg pensou que estava sendo discreta no seu processo de “espiar de longe”, mas parece que tinha falhado.

– O que? Eu?… Bia! Não vá me dizer que você… que ele…

-Não! Não é nada disso. É que… é que ele…

Meg via o rosto da mulher a sua frente ficar vermelho em vários tons. Meg poderia imaginar facilmente que Bia e Evan tivessem alguma ligação. Bia tinha aquela beleza “Barbie” no entanto, não ligava muito. De alguma forma, Meg sabia que a outra gostava muito mais de seu cérebro do que de sua aparência. Mas não pode negar que essa possibilidade, a deles terem um romance qualquer, a deixou  com um frio esquisito na barriga.

Não que estivesse gostando de Evan. Tinha acabado de sair de um relacionamento e às vezes ainda se pegava pensando em Max, em como estaria com ele. Noivos? Comprando um apartamento? Com Evan, o mais divertido era o “flerte”. É conversar com ele sobre tudo e sobre trabalho. Tinham uma boa sintonia, mas nada que ela visse como indicador de que ficariam juntos ou coisa do tipo. Ah, e ainda tinha o fato dele ser lindo-de-morrer.

​- Então fala, ou você vai me deixar louca, mulher!

E então Bia começou a falar.

​- O Senhor Medeiros é um ótimo chefe, não me entenda mal, e também gosto muito da Senhora. Mas quanto a estes olhares… não é uma boa coisa. Sei que já sabe que ele entrou na empresa muito jovem, e como todo adolescente com a aparência dele… bom, não era difícil ver outras adolescentes pelas escadas chorando por conta dele. Mas tudo bem, afinal que jovem não faz essas coisas hoje em dia? Ter duas ou três namoradas é “normal”

​Até o momento Meg não via aonde aquela conversa iria levar. Mas Bia logo continuou.

​- Ele ficou fora da empresa durante dois anos, até que voltou como estagiário e voltamos a encontrar estagiárias chorando pelos cantos pelos mesmos motivos daquelas adolescentes. Até que, depois que ele acabou a faculdade, voltou a trabalhar aqui. Mas o comportamento era o mesmo e até pouquíssimo tempo era assim. Digo isso porque quase houve uma divisão da empresa depois de terem descoberto um caso dele com a esposa de um dos sócios. Conseguiram deixar o assunto por aqui mesmo, mas ficou tudo muito estranho. Depois disso, só ficamos sabendo que ele saiu algumas vezes com a Sara, até porque ela não faz muita questão de esconder, não é mesmo? Ele nunca foi “demitido” por que sempre mostrou muita competência no que fez e no que faz, isso se não contarmos o fato de que ele é um dos herdeiros.

​Toda aquela historia era meio… assustadora. Sempre viu o Evan como um “nerd bonitão”  não como o “nerd garanhão”. Aquilo era ridículo! E, pelo amor de Deus, a Sara era a ultima pessoa com quem ela pensou que ele sairia. Agora conseguia entender a pouca roupa e os passos apressados que ela dava ao lado dele. Além das frases sussurradas ao pé do ouvido.

​Imperceptivelmente, Meg havia virado a cadeira de modo a ficar de costas para a entrada da sala dele.

​Bia observava enquanto Meg digeria aquela informação. Como ela sabia de tudo aquilo? Bom, tinha conversado com outras secretárias e, como toda mulher que andava por ali, já tinha sido alvo das atenções de Evan, embora nunca as tenha aceitado. Sabia que ele faria a mesma coisa com Meg e, como tinha se afeiçoado a ela e conhecia toda a historia com Max, não queria vê-la magoada sendo mais uns dos casos dele.

​- Obrigada Bia por me contar tudo isso. Mas, só pra esclarecer, posso assegurar que não sinto absolutamente nada por ele, ok?– Bia balançou a cabeça em concordância, embora tenha notado uma inclinação contrária naquelas palavras – E também que nunca tivemos nada! Agora, pode levar esses documentos pra mim?

​Meg sabia que aquela conversa toda de indiferença quanto a Evan, no fundo, não passava de uma mentira. Aquela reviravolta que sentiu no estomago,algumas pessoas chamavam este fenômeno de borboletas no estomago,  era prova disso.

​“Como ele pode enganar tão bem com essa pose de bom moço?”

 

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Sobre o autor

Sofro de transtorno bipolar... Eu acho. rsrs sou meio doida, meio normal (aquela velha história de metade cheio ou metade vazio). Adoro ler, adoro cinema, adoro chocolate, adoro escrever. Há quem diga que até levo jeito. Tem gente que gosta de mim e do que escrevo. Tem gente que me odeia e mesmo assim, sem assumir, adora o que eu escrevo hehe. Sou convencida e tímida. Sou de câncer (se alguém se liga nessas coisas). Sou ouvinte, mas pouco falo. Sou simples e sou confusa. Pois é... sou Odyle

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