Capítulo 14 : Tal Pai, Tal Filho?

Mais um capítulo das confusões da Meg e do Evan!

Espero que gostem!!

Capítulos anteriores aqui.

Capítulo 14: Tal Pai, Tal Filho? 

Melhor amiga é assim: finge     que não viu nada quando na verdade viu tudo. E no caso da Ana, sabia de tudo antes mesmo de contar pra ela.

E é decente. Por exemplo, quando é melhor amiga tipo, de verdade mesmo, ela corre pra fingir que está dormindo pra você continuar curtindo aquele momento, pelo menos até o dia seguinte.

E é por isso que Meg amava a Ana.

Estranhou quando viu a amiga deitada e imóvel quando entrou no apartamento, mas agradeceu silenciosamente por isso. Mesmo assim, Ana não deixou barato por não ter contado antes: ela estava esparramada em sua cama e tinha deixado o sofá pra ela! Não tinha problema, sabia bem que não iria dormir tão cedo. Ficou por horas olhando do batente de sua janela pra a rua. Queria entender o que tinha acontecido e o porque.

Tudo bem que Meg sabia, desde o momento em que o viu do outro lado da pista de dança, que aquilo ia acontecer. Sabia inclusive que Ana desconfiaria e daria aquele jeito de sair de cena. No entanto, acreditava ser forte e resistir a Evan. Como foi inocente!

            Sabia bem que estava caidinha por ele. Na verdade era mais um desejo desenfreado. Gostava daquele jeito irônico, de como se preocupava com ela, do jeito como se vestia e, principalmente, de como a tratava.

            Sabia que aquele beijo aconteceria mais cedo ou mais tarde. Se entendia um pouco de linguagem corporal, o tal beijo já estava previsto desde quando se esbarraram no parque. E sabia que o momento tinha sido adiado ao máximo por ela. Não queria complicar as coisas. Mas mais complicado não poderia ficar, não é?!

            Sabia que não era amor nem nada do tipo. Pelo amor de Deus! Só se conheciam há poucos meses. Mas existia uma conexão e queria interrompê-la o quanto antes. Ainda lembrava constantemente de Max e do que tinha feito com ela e sabia que o que sentia por ele já não era a mesma coisa.

            No meio dos seus pensamentos confusos – entre eles aquele “graças a Deus que não vou trabalhar amanhã” – Meg acompanhou o nascer do sol e só então conseguiu pegar no sono.

Ana teve a compaixão de só bombardeá-la depois que tomaram uma boa xícara de café.

– Então, por onde vai começar? – e lá estava a versão “amiga curiosa”

Meg bufou. Não estava preparada para conversar sobre Evan, até porque já sabia qual seria a reação de Ana.

– Você já me ouviu falar dele, Ana!

– Não… certamente eu lembraria.

– Lembra da noite em que Max terminou comigo? – Ana fez que sim – pois é, lembra que te falei que encontrei com uma pessoa no elevador e que depois ele veio falar comigo quando estava na piscina do hotel? Ele é o Evan. Descobri quando cheguei e fui apresentada formalmente ao “diretor financeiro”.

– Então ele viu você pagar aquele mico todo no hotel? Não é um bom começo! Bom, não interessa… Quero saber mesmo o que levou você a querer fugir dele e depois ganhar aquele presente de aniversário.

Meg arrastou a cadeira e foi com sua caneca reabastecida de café até a janela. Era outono. Adorava a cidade com aquelas folhas amareladas.

Meg pensou por um tempo. O que a tinha levado a fugir de Evan? Sabia que não era a historia que Bia tinha contado, pois não acreditava nela fazia muito tempo. E isso ainda era mistério. Decidiu ser sincera com a amiga.

– Não sei, Ana… Simplesmente não sei. Nos damos bem, gosto do jeito dele. Ele é irônico… me sinto a vontade com ele. Acho que é carência. Desde que Max saiu da minha vida, Evan vem preenchendo o espaço sempre como amigo…  desde o dia que me viu a primeira vez. Mesmo depois do que a Bia me contou, eu não consigo simplesmente me afastar dele.

– O que foi que essa Bia contou?

Meg contou toda a história para Ana que fazia cara de surpresa em alguns momentos.

-… Mas ai, quando dormi na casa dele, percebi que aquilo não poderia ser verdade.

– Um minutinho ai, Meg! Como assim “quando eu dormi na casa dele”? Você ficou fugindo dele mesmo depois de ter dormido com ele? Qual o seu problema??? – Ana estava visivelmente indignada com Meg.

– Eu não “dormi com ele” nesse sentido que você esta colocando não! Só pegamos no sono enquanto víamos um dvd. – Ana fez aquela cara de “sei”! – é sério Ana, nunca tivemos nada até ontem.

– Mas esse Evan também… sei não, Meg! Essa historia de “não é nada disso que você está pensando” quanto a ele ser um garanhão, não me parece tanto mentira… Por favor! Ele é um deus grego! Faz parte da natureza de um deus grego ser safado!

Meg apenas deu de ombros. Se discordasse da amiga, teria que explicar a sua teoria de porque Evan não era esse ser que ela estava pensando.

Além do mais, não queria estragar a sua sexta trancada com Ana sendo submetida a um interrogatório digno de um agente da CIA.

Então, levou a amiga pra dar aquela volta na cidade e ir a alguns bares à noite. Não pode evitar procurar por Evan nos lugares em que estavam, mas não tinha nem sinal dele.

Até que o domingo chegou e foi embora com a amiga, que embarcou no avião deixando, mais uma vez, Meg sozinha. E já estava tão próximo da segunda feira!

 

Meg acordou no outro dia com um pensamento fixo: “como vou agir quando encontrar com ele? “

Entre sair correndo e faltar a reuniões, ambas opções ridículas, decidiu que esperaria para ver qual seria a reação dele. Se ele iria agir naturalmente como se nada tivesse acontecido ou se soltaria alguma das suas piadinhas favoritas seguida por seu sorriso atravessado e irresistível.

Quando entrou no prédio espelhado e meticulosamente limpo, sabia que algo não estava normal. E não foi difícil descobrir o que estava “fora de lugar”.

O pai de Evan estava no prédio e já tinha movimentado meio mundo por conta disso. Todos estavam tensos, limpavam suas mesas e funcionários abasteciam os depósitos de álcool em gel que ficavam espalhados por todo o prédio.

Assim que chegou em sua sala, viu que tinha várias ligações registradas em seu telefone e um papel colorido preso entre as teclas do computador.

Era um bilhete de Bia avisando que o Sr. Medeiros desejava conhecê-la e que fosse até a sala dele assim que chegasse.

Meg conhecia a fama do Sr. Medeiros e foi logo desamassando linhas imaginárias em sua roupa e alinhando os fios do seu cabelo.

Encontrou a porta de vidro, que dividia o corredor e a entrada da sala de recepção do ultimo andar do prédio, que era todo ocupado por ele, aberta. Entrou, e como não encontrou Bia por lá ficou na duvida se entrava na sala ou se aguardava. Mas foi nessa hora que escutou vozes vindo de dentro do escritório.

– Caso você esteja esquecido, essa ainda é a minha empresa! E entra nesta sala quem eu achar que deve! – o tom não era amigável.

– Então é por isso que você vai fazer desta sala um quarto de motel? Faça-me o favor! Não bastam os escândalos que nos metemos por sua causa? Deixe os jornais esfriarem antes de dar mais motivos para os tablóides destruírem ainda mais a nossa família e o nome que vovô demorou tanto tempo para tornar respeitado. – Meg reconheceu a voz de Evan, embora não parecesse com ele falando.

– Não me afronte, Evan! Sua competência pode ser relevada e posso tirar você daqui com apenas um telefonema!

– Esteja preparado, então! Se isso acontecer o seu nome, papai, estará na lama e não o acobertarei mais! – a voz de Evan estava carregada de ironia. Meg estava assustada com aquela conversa e principalmente com o que Evan tinha falado.

Quando escutou passos em direção a porta, decidiu que seria melhor anunciar sua presença antes que fosse descoberta.

Bateu ligeiramente na porta de madeira, que pelo visto não era tão grossa. Esperou alguns segundos até encontrar com um Evan carrancudo do outro lado.

A expressão de Evan suavizou um pouco quando a viu. Meg deu um sorriso involuntário e Evan saiu definitivamente de sua pose agressiva.

– Bom dia Senhor Medeiros. Beatriz disse que queria falar comigo?!

O sr. Medeiros, ou César, era o oposto de tudo o que meg tinha imaginado. Era uma cópia mais velha de Evan e com uma pele mais clara. Mas a cor dos olhos estavam ali, os ombros largos e o charme também.

Enquanto aproximava-se da mesa, Meg tinha plena consciência que estava sendo analisada pelo pai de Evan. E não era como Evan a olhava, nunca tinha visto aquela expressão nos olhos dele.  Os olhos dele pegavam fogo, tinham um quê de “libertinagem” e violência que fez Meg sentir calafrios.

– Finalmente nos conhecemos, Sr Alves. E que prazer! – a ultima frase foi arrastada. Pronto! Meg decidiu que não gostava dele.

– É um prazer conhecê-lo, senhor.

Sem intimidar-se com a polidez de Meg, ele saiu de sua mesa, colocou a mão nas costas de Meg e a conduziu até a mesa de reuniões. Aquele toque atravessou a camisa de seda azul que usava e causou um sentimento de repulsa que não sabia conter. Quando olhou para Evan, viu que ele franzia a testa e olhava aquela cena nada satisfeito.

– Chamei os dois aqui para informá-los que os dois irão compor a comitiva que viajará para conduzir a inauguração do novo prédio. Como já sabem, a inauguração acontecerá na sexta feira. Estejam preparados.

– Não era você que ia? – Evan respondeu esquecendo que Meg estava lá e deixando de lado todo o tratamento que dispensava ao pai quando estavam em público.

– Não poderei ir mais, Sr. Medeiros. – comentou, corrigindo o filho – tenho assuntos a resolver.

Evan apenas endureceu o maxilar. Sabia que não adiantava discutir com ele. Além do mais, a idéia de viajar com Meg e tirá-la da atenção de seu pai não era má idéia. Tinha visto como ele a examinou. Sabia que se tivesse oportunidade ia deixar Meg em situação nada agradável. E se a conhecia bem, ela não deixaria por menos como as outras tantas secretária, coordenadoras ou estagiárias.

– Espero que não tenha objeções como o meu filho parece ter, Megan. Adoraria acompanhar vocês, mas não será possível. Sei que representarão bem a empresa.

Ouvi-lo tratá-la pelo primeiro nome, revirou seu estomago. Aquele homem não era normal e lhe causava repulsa.

– Não tenho qualquer problema, Senhor. – Meg olhou para Evan, buscando apoio.

– Ok. – foi sua resposta simples.

A idéia de se ver presa com Evan durante todo um fim de semana agradava Meg. Não tinha como negar.

Caminharam em silencio até o corredor dos elevadores. Meg parou para esperar enquanto acompanhava a contagem crescente na sinalização luminosa sobre as portas quando escutou os passos de evan seguirem pelo corredor.

-Evan…

– Desculpe Meg. Preciso ir de escadas – e continuou ate desaparecer pela porta vermelha da saída de emergência.

Meg queria ir atrás dele e descobrir o porque dele estar tão abalado pelo encontro com o pai. Mas tinha a sensação de que se sentiria uma intrusa caso o seguisse.

Alguma coisa lhe dizia que descobriria o motivo desse estranhamento entre eles mais cedo do que esperava.

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Sobre o autor

Sofro de transtorno bipolar... Eu acho. rsrs sou meio doida, meio normal (aquela velha história de metade cheio ou metade vazio). Adoro ler, adoro cinema, adoro chocolate, adoro escrever. Há quem diga que até levo jeito. Tem gente que gosta de mim e do que escrevo. Tem gente que me odeia e mesmo assim, sem assumir, adora o que eu escrevo hehe. Sou convencida e tímida. Sou de câncer (se alguém se liga nessas coisas). Sou ouvinte, mas pouco falo. Sou simples e sou confusa. Pois é... sou Odyle

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