História (ainda) sem nome. capítulo 2

Vamos a mais um capítulo?

Espero que gostem!

Capítulo 2: Não mesmo

 

“Não me lembro da cama ser tão dura e fria assim. E porque minha cabeça lateja tanto?”

Esses foram os primeiros pensamentos de Meg pela manhã.

Aos poucos, as imagens e memórias do que tinha acontecido na noite anterior foram voltando.

A reunião… O telefonema…. Max… O bar… e o banheiro.

Ah sim, o banheiro!

Conseguiu sair da posição em que passou a noite inteira –  deitada sobre o lado direito de seu corpo- e encostou as costas retas no chão frio. Sentiu a pele nua de seus braços encostarem no mármore branco. Abriu os olhos até eles formarem uma pequena fenda, quando viu que o comodo não estava tão claro, conseguiu fitar o teto do banheiro. Ele ainda não tinha parado de rodar completamente, parecia que tinha levado uma daquelas bigornas de desenho animado, daquelas que o papa léguas sempre escapava, bem na cabeça.

Tinha que levantar. Recobrar um pouco de dignidade. E sair do chão do banheiro era um bom começo.

Em movimentos lentos e doloridos foi afastando o corpo, sentou, conseguiu equilíbrio e levantou. Livrou-se das roupas, largando-as onde estava e resolveu tomar uma boa ducha.

Por sorte ainda tinha dois dias de descanso antes de voltar para casa e dar de cara com a realidade. Como ainda era sábado, colocou um maiô, short jeans e uma blusa confortável, óculos escuros para esconder as olheiras da noite de bebedeira mal dormida e foi até a piscina do hotel.

E se arrependeu.

Estava cheia, barulhenta e terrivelmente ensolarada.

Bom, não era bem assim. Se fosse um pouquinho honesta, admitiria que a piscina estava sim cheia. Cheia de executivos e repórteres jovens que sempre via de terno, andando pelos corredores ou na recepção, e agora estavam de roupa de banho exibindo os músculos para quem quisesse ver.

Estava barulhenta porque tinha caixas de som com uma música animada, algum grupo da moda que ela não lembrava bem o nome no momento.

E sim, o sol estava lindo, bem no alto lançando aquele calor convidativo a um mergulho. O que, claro, ela não faria.

Por sorte, conseguiu uma espreguiçadeira vazia e jogou-se nela. Mas lembrou que ficaria com a marca do short se não o tirasse, assim como a da camisa.

Primeiro se livrou do short, dobrou-o cuidadosamente e por fim tirou a blusa e só nesse momento viu que era uma de suas camisetas preferidas, mas que não costumava usá-la em público já que tinha desenhos em estilo mangá dos personagens de um desenho dos anos 80 chamado “caverna do dragão”.

Em todo o processo, Meg estava alheia aos olhares. Nunca gostou de chamar atenção, assim como nunca teve problemas com seu corpo. Sempre agradeceu por não ser como suas amiga que eram escravas de regimes e academias. Seu corpo era normal e ela gostava dele exatamente como estava. O que não via era que vários hospedes ali presentes também gostavam do que viam: uma mulher de estatura média, busto e quadris na mesma medida, cintura fina, e pernas grossas.Cabelos castanhos com luzes finas nas pontas preso num coque frouxo, e dessa vez, estiloso. Tudo num maiô preto de uma alça única.

Meg tinha acabado de passar uma camada generosa de protetor solar quando viu uma mão segurando um coco verdinho. Com direito a canudo com guarda chuva e tudo.

“Mas, não pedi nada” foi o que Meg lembrou e ia perguntar isso ao “portador do coco” quando o olhou e viu que ele não estava com o uniforme dos funcionários do hotel.

Não mesmo.

Moreno, mas não aquela cor comum de quem pega sol. Era diferente. Cabelos castanhos escuros e lisos naquele corte que deixa toda mulher com raiva por não conseguir o mesmo movimento, e mesmo por baixo da camisa branca em gola V, ela viu que ele passava longe da descrição esguio.

Não mesmo.

O bom senso gritava nos ouvidos de Meg em altíssimo som: agradeça e diga que não quer… agradeça e diga que não quer.

– Acho que você precisa disso aqui. – foi o que o estranho falou pra ela. Sem reação diante daquele sorriso, ela pegou o coco que lhe era oferecido.

– Obrigada. Mas, porque eu precisaria dele? –  e fez um movimento com a mão.

– Você não me parecia muito bem ontem à noite quando nos encontramos no elevador. – ele falou isso de forma tranqüila, como quem comenta o tempo. Ainda com ar sorridente.

E foi ai que Meg enrubesceu, amaldiçoou Max, e tomou um longo gole de água de coco. Tudo ao mesmo tempo.

Foi nesse momento também, que Meg lembrou-se que tinha alguém no elevador com ela e que ela não tinha se dado ao trabalho de gravar seu rosto ou de prestar muita atenção nele.

– Evan. – continuou ele enquanto estendia uma mão para que ela apertasse e dissesse seu nome. Ele era bem tagarela.

– Megan. – falou, tentando esconder o constrangimento dele tê-la visto bêbada- ah! Então você notou que o elevador também estava rodando?

Meg acreditava que era sempre mais fácil sair ilesa de uma situação constrangedora que a envolvia se fizesse algum comentário engraçado sobre ela.

– Sim! E rodava bem rápido.- foi a resposta de Evan entendendo o que Meg estava fazendo.

Aquele sorriso de dentes brancos e alinhados estava deixando-a sem graça. Ainda bem que estava de óculos escuros!

– A propósito – continuou Evan –  nunca entendi muito bem porque o mestre dos magos sempre desaparecia depois de dar alguma informação aos garotos. – Aquele estranho estava sendo amigável comentando sobre sua blusa, mas ela ainda se recuperava da sua imaginação que lhe pregava peças sobre aquele estranho tagarela de sunga.

O que era bem absurdo, já que tinha acabado de levar um belo “pé na bunda”, não tem uma expressão melhor para o que tinha acontecido, do Max. E colocava a culpa desses pensamentos, no mínimo libidinosos, no efeito prolongado do álcool e no fato de estar se sentindo rejeitada.

– Eu já odeio o fato de nunca ter visto o episódio final. – completou Meg.

– Acho que a vi ontem, Megan… numa daquelas intermináveis palestras no salão de ventos. Numa que eles falavam alguma coisa sobre gestão de processos – Evan fez uma careta para mostrar o quanto aquele assunto o interessava.- graças a Deus inventaram a internet móvel.

– É verdade… Foi bem cansativa …- Evan ergueu uma sobrancelha como quem diz: diga a verdade. – Okey… estava bem chato aquele falatório todo. – completou Meg.

Continuaram conversando sobre diversos assuntos. Meg nunca diria que Evan, com todo aquele porte de atleta, seria um nerd que assistia desenhos (mesmo com seus 34 anos, era a idade que ela achava que ele tinha) e era formado em Administração numa das melhores faculdades do país.

– E então, seu namorado vem encontrar com você esse fim de semana?

Evan perguntou como quem não quer nada, mas  Meg sentiu um soco bem no estomago quando ele fez a pergunta e como se pimenta, daquela que arde bem muito, tivesse sido espremida em seus olhos.

– Como? – conseguiu dizer, mesmo que sua boca estivesse seca e seus olhos ardendo com a eminência das lágrimas.

– A aliança em sua mão… – Ele apontou para a mão dela e Meg logo baixou os olhos como se nunca tivesse visto seus dedos antes.

Aquela aliança não deveria estar ali.

Não mais.

Não mesmo. 

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Sobre o autor

Pseudo Nerd.
Canceriana (isso importa?).
Adoro escrever e ler. Viciada em filmes e seriados.
Conhecida por sentir as coisas alem do necessário.

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