‘Dia desses, tava vagando na net quando uma amiga de Recife (minha cidade natal) me contou uma novidade não muito boa.

Morei em recife por quinze anos. E vivi na mesma casa durante todo esse tempo.

Era uma casa antiga, nas por isso mesmo gostava tanto dela.

Cada canto da casa era conhecido por sua “decoração”. Tínhamos a sala azul (com cerâmica azul clara no chão e nas paredes) lá ficava uma estante cheia de garrafas de bebidas, algumas bem antigas (inclusive aquelas garrafinhas da coca cola e fanta que vinham num engradadozinho), tinha uma radiola branca onde eu escutei muito os LP’s da Xuxa (meu passado me condena) e posteriormente os LP’s de Legião Urbana. Tinha uma mesa redonda, com tampo de mármore e pés escuros de madeira. Tínhamos também um banheiro rosa (!!!). Devia ser moda na época em que a casa foi construída. E tinha os meus lugares preferidos: a parte de cima da garagem (a casa ficava numa ladeira, então a garagem era um pouco mais baixa do que o piso normal da casa então quando foi construída, o teto da garagem ficou como um “terracinho”. Era lá que brincava com minhas amigas inseparáveis e espalhava uma tonelada de brinquedos (para desespero de minha irmã), era pra lá que ia ler quando tomei gosto pelos livros, era lá que jogava RPG e que ficava jogando conversa fora com meus amigos.

O segundo lugar que mais gostava era o “terracinho” na entrada de casa. Ele era estreito e uma delícia de ficar! Foi lá que aprendi a andar de patins (embora tenha esquecido), era lá que dançava nas minhas festinhas de aniversário e era lá que fazia um barulho danado tocando num piano que minha irmã ganhou quando era criança.

Era para aquela casa que voltava todos os dias depois da aula. Que tinha um portão azul que vez ou outra não queria abrir. Era naquela casa que recebíamos amigos e fazíamos festa.

Foi naquela casa que encontramos e conhecemos vizinhos que se tornaram amigos maravilhosos com quem mantemos contato e outros que não falamos mais.

Daí, que essa amiga me falou que essa casa estava sendo demolida para construção de algum outro prédio.

Quando ela me contou, senti meu olhos marejados. E lembrei exatamente de todos os cantinhos da casa. Todos!

De todos os momentos que vivi lá.

Momentos difíceis e momentos felizes.

Ainda hoje, quando sonho que estou em casa, sonho com esta casa.

Sempre achei que quando fosse a recife novamente, iria até a minha antiga rua e pararia alguns segundos na frente daquele número 36 e ele estaria lá!

Nunca imaginei que ela deixaria de existir, nem que ainda significava tanto pra mim depois de 10 anos!

Ainda bem que tenho fotos e boas lembranças daquele lugar que um dia chamei de lar.

 

Aonde cresci
do que já vivi
Não me lembro de nada na vida
que mais se pareça com amor
como lembro de ti

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Sobre o autor

Pseudo Nerd. Canceriana (isso importa?). Adoro escrever e ler. Viciada em filmes e seriados. Conhecida por sentir as coisas alem do necessário.

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