Todos os sentidos estavam ali… tão vivos, tão presentes….

Os olhos não se desgrudavam…fitavam-se….tinham noção de tudo e de nada ao mesmo tempo…. aqueles olhos com um brilho especial. Que diziam tanto e nada ao mesmo tempo!

Expressões que mudavam minimamente, mas que eram carregadas de significados: testa enrugada, sobrancelha em um arco de pesar, de tristeza e então levantadas com o reconhecimento de que eram compreendidas como um grito mudo de dor e de pedido de desculpas. Como tinham passado tanto tempo separados? Como não tinham se encontrado antes? Como?

Os ouvidos estavam atentos. Mas escutavam somente o som do vento passando calmamente entre as folhas das árvores ao redor. Escutavam o som de seus corações batendo compassados, mas firme como se quisesse provar que estavam ali: vivos.

Os dedos sentiam o ar quente… sentiam também a tensão daquele momento… os braços largados ao lado se seus corpos como se não fizessem parte daquele momento… e ao mesmo tempo querendo alcançar o outro. Tocar.Sentir.

O cheiro das folhas verdes, do perfume do outro… talvez não pudesse ser sentido assim, de tão longe. Mas estavam gravados em suas mentes tornando aquele momento, aquele retrato, ainda mais verdadeiro.

A garganta estava seca. Os lábios entreabertos. A língua antecipando o sabor do outro. Os lábios não precisavam transformar todos aqueles pensamentos e sentimentos em palavras…. elas estavam sendo ditas…. temiam que se algum som fosse emitido, o vento levasse antes mesmo de chegar aos ouvidos atentos do outro…

Um sorriso tímido, mas carregado de desejo e de significado como gritava todo o resto de seus corpos, surgiu em seus lábios…. e a aproximação foi inevitável.

E enquanto andavam, o mundo que deixavam para trás ia morrendo… ia apagando… não existia mais para nenhum deles…a única coisa que importava era aquele mundo que se colocava entre eles… aqueles 3 ou 4 passos que os separava.

Estavam próximos o suficiente para sentir o calor de seus corpos… as mãos se reconheceram, os dedos se entrelaçaram como se fossem moldes perfeitos…

E o que era apenas desejo, aconteceu.

Seus lábios se tocaram… travaram um reconhecimento… e mesmo se existisse dúvidas ou palavras a serem ditas, elas não eram mais necessárias…

Eles finalmente se comunicavam.

Compartilhe

Sobre o autor

Pseudo Nerd.
Canceriana (isso importa?).
Adoro escrever e ler. Viciada em filmes e seriados.
Conhecida por sentir as coisas alem do necessário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *